Detalhes tão pequenos: como e porquê olear tábuas de corte de madeira.

21 de mar de 2014





(In English)

Há um bom tempo eu andava interessada em saber mais sobre como e porquê olear tábuas de corte de madeira, considerando que comprei duas tábuas pelas quais me apaixonei de imediato.
Sabe como é, queria cuidar bem delas.
Quando a tábua é oleada, forma-se uma camada de proteção que facilita a limpeza e aumenta a durabilidade dela.
A umidade fica, em parte, impedida de permear as fibras da madeira, prevenindo a absorção de alimentos que poderiam deixar odor, manchar, favorecer o acúmulo de bactérias, e formar bolor.
Isso deveria ser feito antes do primeiro uso da tábua, e depois como manutenção.
Para saber qual óleo usar, como e quando, continue lendo.
Primeiro, a frequência:
De acordo com um dos sites onde me informei, durante a primeira semana de uso a tábua deve ser oleada todos os dias; no primeiro mês, uma vez por semana; depois uma vez por mês pelo resto da vida da tábua.
Há quem diga que você deve olear cada vez que usar, há quem diga uma vez por semana sempre.
A primeira versão dos fatos foi a que mais fez sentido pra mim.
Minhas tábuas já estavam em uso há uns 8 meses quando finalmente fui procurar saber mais sobre os cuidados. Não tenho cozinhado constantemente, venho oleando uma vez por mês e acho que tá bom.

Bom, e qual tipo de óleo?
Não os mesmos óleos que se usa para cozinhar, isso com certeza.
Porque eles oxidam e ficam ranços rapidamente, interferindo no sabor da comida que for preparada sobre a tábua.
Os óleos que usamos para cozinhar (canola, soja, girassol, oliva, manteiga etc) são óleos que não polimerizam, ou seja: não secam em forma de película "plástica". Então além de deixar gosto ruim não protegeriam muito a madeira da umidade, eventualmente deixando uma textura gosmenta na tábua.
Duas boas opções são óleo de linhaça e óleo mineral.
O primeiro é uma boa opção justamente porque forma a película rígida que acabei de comentar, selando a tábua, fazendo cada aplicação durar mais. 
É preciso ter atenção com óleo de linhaça, pois ele é muito usado em marcenaria e pintura, e não necessariamente o que você encontrar vai ser seguro para usar em algo que vai ter contato com alimentos. É comum que seja associado a metais pesados, que aceleram a secagem, portanto leia o rótulo antes de usar/ comprar.
Honestamente, eu não encontrei óleo de linhaça puro. (Não que eu tenha procurado muito... Quem tiver dicas de onde encontrar, conte nos comentários, por favor.)
Muito bem, a segunda opção, óleo mineral pode ser encontrada com facilidade em qualquer farmácia e custa barato. Foi meu escolhido em função desta praticidade.
(Você quer comprar o óleo mineral para uso interno, apenas esse é seguro para uso em contato com alimentos).
O óleo mineral, diferente do óleo de linhaça, não polimeriza por completo, mas por se manter fluido ele pode preencher pequenos cortes e reentrâncias na madeira entre uma aplicação e outra.
Pode ser usado misturado a cera de abelhas para equilibrar essa característica, mas se você não tiver cera à mão, use puro mesmo.

Para preparar a mistura de óleo mineral e cera de abelha, raspei 1/2 colher de chá de cera e juntei a 1 xícara (240ml) de óleo. Aqueci levemente em banho maria, apenas até derreter a cera. Misturei bem e despejei a mistura de volta ao frasco onde veio o óleo, assim posso guardar para aplicar a mistura sempre que quiser.
Se preferir, aqueça o óleo em microondas, com cuidado. Espere esfriar antes de usar.




A aplicação se faz com a tábua limpa e completamente seca, a quantidade de óleo vai depender do tamanho da tábua. Viu como ela tava antes?
Derramei um pouquinho, espalhei com um papel toalha, e deixei a tábua apoiada de pé por 15 minutos para que absorvesse bem. Repeti essa operação até ela não aceitar mais a mistura de óleo e cera. No caso, precisei aplicar duas vezes só. Repeti do outro lado, passei um pouco de óleo nas laterais também.
Depois deixei ela apoiada de pé, de um dia para o outro para terminar de absorver bem o óleo, preenchendo a superfície. Antes de guardar, dei uma polida com um pano de louça limpo e seco.

Lembre de sempre limpar sua tábua imediatamente após o uso, com esponja macia e sabão neutro, enxugando bem e deixando secar ao ar. 
Para ter certeza de que a tábua não vá embolorar, guarde em lugar arejado.

Fontes de pequisa:

PS: Relendo os sites onde pesquisei, vi que o óleo de coco é uma boa opção também. Por ter alta concentração de gordura saturada é muito mais estável que outros óleos vegetais, pode demorar até 2 anos para ficar ranço, resiste a oxidação, e tem propriedades bacteriostáticas e antisépticas.


0 comentários:

Postar um comentário